sábado, 10 de setembro de 2016

Livro - Gente Casta

Peço que quem curte minha escrita aqui apoie a publicação de meu primeiro livro curtindo a página do projeto no Facebook:


O livro se chamará Gente Casta.



Eis um trechinho:

"Nenhum outro sentido é tão preguiçoso quanto o olfato. Assim que acordamos, abrimos os olhos e percebemos a luz entrar pela janela, vemos o parceiro a nosso lado, vemos o teto, as paredes e o armário, se os há. Também assim que recuperamos a consciência passamos a perceber os sons, o parceiro que suspira, o galo que canta, as folhas que se chocam, os cavalos que trafegam. Mal estamos acordados já a pele começa sua jornada de sentidos, é o lençol que acaricia a pele, a mão que esfrega os olhos, a perna da outra pessoa que roça a nossa, o beijo que, às vezes, nos desperta. Também o paladar dá notícia, é a boca que amarga, depois de uma noite toda com bactérias a reproduzirem-se entre os dentes, é o amargo da outra boca, aquela que nos despertou. Já o olfato continua a dormir, não percebe o cheiro que exala do corpo ao lado, não percebe o cheiro que o corpo a qual pertence emana, se recusa a dar pelo odor de sabão do lençol que nos acaricia a pele. Só quando saímos do quarto, e os vapores de urina e fezes da privada chegam nele, é que se põe a trabalhar."

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